domingo, 5 de abril de 2015

Imersão


Você tem medo de ficar em silêncio? Você tem medo de observar os seus próprios pensamentos? Uma coisa é observar o mundo e o comportamento dos outros; outra coisa é observar a si mesmo e como o seu corpo e sua mente estão se comportando diante de tudo. Qual a dificuldade? Tem medo de morrer? Tem medo de descobrir algo dentro de ti que pode ser perturbador? Tem medo de que alguém te desvende? E se olhar mais profundamente pra você mesmo e reconhecer que existe uma criança, frágil e desesperada, qual o problema? É você ou não é? Se é você, por quê então se esconde de si mesmo? Por quê fingi ser o que não é? Por quê prefere julgar os outros do que você mesmo? Qual a dificuldade? Tens medo de ser desmascarado?

Não se preocupe. Ninguém sabe quem é você, nem você mesmo. Nós temos boas (e horríveis) suposições do que são os outros, mas nem nós mesmos sabemos. E mesmo que você diga o que é e como se comporta, cedo ou tarde, os fatos e suas atitudes podem lhe entregar e te desmistificar. Então não tente fugir: encare! Se tiver coragem, claro.
O grande sofrimento é não aceitar o seu "eu", errante e imperfeito. O seu "eu" individual, mas tão composto pela unidade.

Observe, estude, entenda, sinta e morra pro seu velho "eu" todos os dias. Construa todos os dias uma nova visão, e se for conveniente, abra o seu corpo - o seu templo - para a vida. Mas lembre-se: isso é apenas uma ideia, sendo possível julgá-la, repudiá-la, negá-la ou aderi-la.

Possibilidades são eternas, nossas vidas não.