segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Andando Pelas Ruas de Bauru


Andando pelas ruas de Bauru, tendo um contato mais próximo com a rua e utilizando o transporte público também, percebo uma condição defensiva generalizada nos que compartilham deste comigo. No transporte público, é muito visível o desconforto que as pessoas sentem em terem que compartilhar um veiculo com desconhecidos. Sempre têm aquelas pessoas que sentam na ponta dos bancos duplos para que outras pessoas não sentem ao lado; isso é visível! Vejo que é evidente o desinteresse e o desconforto na interação urbana, embora tão inevitável para o nosso desenvolvimento. De um modo geral, nós nos sentimos ameaçados com a existência do outro. Nós não nos sentimos seguros com a interação humana. Presamos pela segurança física e psicológica, mas negamos claramente a importância da interação com o outro: negamos empatia e negamos o sacrifício que é a interação. Nos relacionamos superficialmente como se fossemos fechar um contrato de relação humana, mas não nos relacionamos; é uma relação parcial, incompleta. É assim que vejo, embora me esforce para que nossas relações não sejam apenas isso.

Faço essas constantes observações, mas também, antes de qualquer conclusão e julgamento, observo se tudo isso também é pertencente a mim. Posso não reagir e me comportar com as descrições que fiz. Posso buscar uma adaptação onde favoreça meu bem estar e também dos outros, mas é evidente que há uma influência, seja ela positiva ou negativa. Há uma sensação e um medo coletivo, porém noto que tudo isso é decorrente de um histórico e de uma exposição de fatos sobre retalhações, agressões e todos os tipos de ameaças da natureza humana que nos aterrorizam, então, constantemente há uma sensação de perigo e de preocupação, mesmo que, naquelas condições empíricas não hajam quaisquer evidências de perigo ou ameaça a nossa integridade física.

Nós não estamos aqui. Nós estamos no passado. Nós estamos no futuro, mas nós não estamos aqui, no presente. Nossas cabeças voam pra lá e pra cá, ansiando por um futuro melhor ou se prendendo a nostalgia de uma bela lembrança. Habituamo-nos a estarmos não presentes: essa é mais uma condição humana.