terça-feira, 31 de maio de 2016

Analisar por si mesmo seus possíveis equívocos e medos, mas não fazer nada quanto a essas questões é a mesma coisa que fugir da realidade através do álcool ou de outras maneiras de evitar o inevitável presente.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Atenção Plena (Mindfullness)

Uma mente que oscila entre o passado e o futuro, pode notar - através da Atenção Plena - que os pensamentos possuem grande relevância nos sentidos, nas emoções e nas sensações do próprio corpo.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Natureza Das Coisas

(Arte: Zurco)
"Não sei muito sobre você e, provavelmente, você também não sabe muito sobre mim, mas isso parece se tornar irrelevante quando nos trombamos em olhares. Nós nunca conversamos sobre nós, apenas sobre coisas da vida e do nosso cotidiano, sendo sob a luz ou sob a escuridão. Nunca nos encontramos ou conversamos fora da Servidão Moderna, mas, em nossos frequentes (e inevitáveis) encontros oculares, discutimos sobre essa estranha circunstância. Existe algo que talvez você não saiba, então lhe direi e tentarei ser breve: não acredito nos relacionamentos amorosos, porém desde a nossa mística colisão, questiono tudo isso e a mim mesmo sobre tais 'aparências'.

Não sei se é o seu olhar. Não sei se é a simetria do seu rosto. Não sei se é o desenho do seu corpo. Não sei se é a sua voz e o seu jeito de se expressar. Não sei se te persuadi a tudo isso, ou se você me persuadiu a tudo isso. O fato é que não fizemos e não fazemos nada sobre nós, apenas nos confundimos e nos estranhamos rotineiramente.

Os dias passam, as horas voam e a cada milésimo de segundo, lentamente, nossos disfarces, nossos medos, nosso orgulho e nossa ignorância vão se quebrando e se dissipando diante da inevitável natureza das coisas."

Imovelável

(Arte: Jack Vettiano)

"Talvez tenha parado de falar acerca do amor, pois, quando nos olhamos, percebo que não há o que se explicar, nem como, nem porquê, apenas o fato que se encontra pairado e imóvel no espaço tempo entre o meu Eu e o seu Eu. Apreensivos por alguma reação astronômica que vá, finalmente, nos colidir em um grande e intenso evento existencial, esperamos".

Desrelacionamento

(Cena do filme Eyes Wide Shut)

A formalidade moral é a base de um aparente elo conjugal. O teatro de felicidade e sucesso também servem (e até, aparentemente, sustenta) a "relação", mas nada disso desmistifica a infelicidade de estar por estar de cada conjugue. "Estamos bem, graças a Deus!" é o que dizem quando não se tem mais o que se compartilhar, tão pouco sustentar, juntos. Um status virtual, uma aliança, um documento assinado pelos dois, um mesmo teto para dividir, um mesmo carro para compartilhar, o mesmo filho para gerar, a mesma conta para se administrar, a mesma vida para se viver, juntos. São "considerações" e maneiras de tentarem se prender, ou relacionarem o que nunca se relacionou. Entendendo que nada disso elimina, nem eliminará o fato de que, mesmo juntos - aparentemente juntos - não existe relação, não existe felicidade, mas um teatro, um disfarce, uma TRADIÇÃO pra se sustentar. Em meio a toda essa frenética e desordenada dança, dois indivíduos se destroem, dia após dia, crentes de que o amor é essa simbólica mistura de ciúmes, desconfiança, dor e sofrimento.

É assim que a gente faz quando não entendemos o que é estar só. É assim que a gente age quando achamos que estamos preparados para a vida. É assim que a gente age quando não conhecemos nem a nós mesmos.

No final das contas, grande parte do sofrimento humano é o mais puro e perturbante medo de lidar, dia após dia, consigo mesmo.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Tatilhar

(Arte: Jack Vetrtiano)

"Ah, se o encontro dos meus olhos aos seus fosse o único mistério a ser desvendado nessa existência...

Talvez você realmente se chateie e não apareça...não apareça nunca mais para tomar um café, mas antes que você jogue tudo pro alto e prefira julgar-me com rancor e impaciência, preciso lhe confessar algo que descobri sobre mim mesmo e sobre essa vida tenra: meus olhos não encontram apenas os seus olhos! Sim! E cada encontro é único. Cada experiência. Cada troca de olhar. Cada possibilidade ao desconhecido....enfim...um diálogo inexplicável, talvez apenas...observável, não sei. Não quero parecer canalha...enfim, que seja! Não quero te iludir. Não quero que você também caia nessa falácia mal vivida e nesse conto de fadas da vida humana, nem que você se prenda apenas aos nossos olhares...nem a mim desejo que se prenda, pelo amor de Deus! Mas quero sim...quero que você aprenda a se conhecer. Quero que você desfrute dos seus sentidos, seja lá como ou com quem você decidir desfrutar. Enfim. Apenas não me interprete mal, pois enquanto me conheço e exploro a mim mesmo. Enquanto aprendo a lidar com o mundo e com o meu lado mais obscuro, mantenho minhas dúvidas; Será que um dia estaremos frente à frente, olhos nos olhos, sem desvios? Acho que isso talvez não aconteça...não, não sei...não sei se vai chegar o dia que olharei só pra você...ainda tenho muito que aprender."

Atemporal

Venenaidade



vaidade intelectual (e espiritual) é um veneno quase imperceptível, mas que se aplica substancialmente como conhecimento, debilitando os sentidos no indivíduo humano, dopando-o a uma ilusória superioridade e deixando-o, assim, alegre e delirantemente satisfeito com sua confortável e prazerosa estupidez.