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| (Arte: Jack Vetrtiano) |
"Ah, se o encontro dos meus olhos aos seus fosse o único mistério a ser desvendado nessa existência...
Talvez você realmente se chateie e não apareça...não apareça nunca mais para tomar um café, mas antes que você jogue tudo pro alto e prefira julgar-me com rancor e impaciência, preciso lhe confessar algo que descobri sobre mim mesmo e sobre essa vida tenra: meus olhos não encontram apenas os seus olhos! Sim! E cada encontro é único. Cada experiência. Cada troca de olhar. Cada possibilidade ao desconhecido....enfim...um diálogo inexplicável, talvez apenas...observável, não sei. Não quero parecer canalha...enfim, que seja! Não quero te iludir. Não quero que você também caia nessa falácia mal vivida e nesse conto de fadas da vida humana, nem que você se prenda apenas aos nossos olhares...nem a mim desejo que se prenda, pelo amor de Deus! Mas quero sim...quero que você aprenda a se conhecer. Quero que você desfrute dos seus sentidos, seja lá como ou com quem você decidir desfrutar. Enfim. Apenas não me interprete mal, pois enquanto me conheço e exploro a mim mesmo. Enquanto aprendo a lidar com o mundo e com o meu lado mais obscuro, mantenho minhas dúvidas; Será que um dia estaremos frente à frente, olhos nos olhos, sem desvios? Acho que isso talvez não aconteça...não, não sei...não sei se vai chegar o dia que olharei só pra você...ainda tenho muito que aprender."
Atemporal
vaidade intelectual (e espiritual) é um veneno quase imperceptível, mas que se aplica substancialmente como conhecimento, debilitando os sentidos no indivíduo humano, dopando-o a uma ilusória superioridade e deixando-o, assim, alegre e delirantemente satisfeito com sua confortável e prazerosa estupidez.
O observador reflete sobre as crenças, ideias e ideologias que cercam e rodeiam a consciência do indivíduo humano. Ele afirma que o indivíduo humano permanece em profunda alienação enquanto acredita fundamentalmente em algo ou em alguém antes dele mesmo. Embora reconheça a necessidade da sua movimentação e do seu deslocamento (inevitável e natural), entende que a primeira movimentação é dada pela mente e por sua energia, possibilitando, assim, possíveis decisões.
O observador considera importante a análise e o reconhecimento dessa energia, embora ainda questione e mantém a dúvida sobre sua origem.
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| (Arte: Jack Vettriano) |
"Era Março o mês que inevitavelmente retornara meus esforços à maquinaria da Servidão Moderna. Naqueles últimos dias de despreocupação e descontração - restando apenas alguns dias para o tão lamentável retorno - atravessara a avenida principal de nossa cidade em busca de uma condução ao meu confortável e precioso lar, clamando ilusoriamente por descanso; Era fugitivo da angústia que sucedera-me futuramente. Todavia, assim como um raio que rompe o tronco de uma árvore centenária e cascuda em milésimos de segundo. Assim como um raio que atravessa a escuridão sem permissão, seus olhos atravessaram minha alma: foi até o fundo. Força da natureza: inevitável agressividade, de única beleza, colou-nos a observarmo-nos nessa dança incerta. E desde então não sabemos o que fazer.
Retornando à Servidão Moderna, eis que nossos olhos reencontraram-se na multidão. Colocados em posições distintas no xadrez da modernidade; presos a esse enigma diante de tanta austeridade. E você, assim como eu, enclausurada e assustada com a retomada de nossa relação. Desde então, são nossos olhos - traumatizados e fascinados pela paixão - que falam por nós, sem razão. Orgulhosos e arrogantes por não findarem esse mistério intrigante, mantemos nossa dúvida até o ultimo piscar ofegante. Todos os dias, sofremos e mentimos para nós mesmos diante do espaço tempo; Por quê ainda não nos jogamos ao vento?
Eis a benção que nós, Servidores Modernos, não podemos racionalizar: a paixão! Cuja força e dimensão está além do espaço tempo. Além de nossa compressão. E mesmo assim, ainda assim, com essa nossa mania de dizer "não"...racionalização! Todos os dias, nos mutilamos e nos confundimos em busca de razão. Nos destruímos, mas já sabemos: é a natureza que, no final, leva-nos até o chão, sem polpar esforços, sem dimensão; Natureza clara, natureza em vão?
Saudades...saudades...saudades do futuro."
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| (Fonte:http: giphy.com) |
O observador reflete constantemente sobre colocações externas e internas a seu respeito. Ele considera muito importante todas as colocações expostas, sejam elas mencionando seu passado comportamental, sejam elas teorizando supostas reações futuras, ou mesmo aplicações presentes: todas lhe cabem com suas devidas utilidades. O observador, embora imperfeitamente humano, reconhece a necessidade de exploração dentro de si mesmo e do lado de fora. Reconhece a necessidade de vulnerabilidade, independente de onde passe. Independente de quem se relacione com ele.
O observador, consciente de sua imaturidade - não colocada como desculpa de fugas e responsabilidades - mantém sua vulnerabilidade com a existência, possibilitando, assim, o aprendizado e o estudo de si mesmo diante dos seus sentidos. Ele considera importante o seu silêncio, mas também é apaixonado pelo barulho que faz do lado de fora.
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| (Arte: Jack Vettriano) |
Você pode ter muitas especulações, ouvir boatos e suposições acerca de um indivíduo, fazer análises e conclusões empíricas através do seu conhecimento, seja acadêmico ou informal; é possível que você acerte em muitas coisas, contudo, só poderá realmente tirar conclusões mais precisas em convívio com ele. E mesmo assim, por mais que tentemos desmistificar e desvendar um indivíduo, ele ainda permanece em constante mistério, tanto para com nós como para si mesmo.
Tentar desmistificar uma alma é intenso, é prazeroso, é um sentido existencial a mais, nos dá prazer, nos fortalece, mas também, por quase sempre, encaramos esse movimento como uma única forma de nos colocarmos e nos encontrarmos diante da realidade, assim, protelando (e deixando pra depois) o encontro e a exploração individual de nós mesmos.
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| (Arte: desconhecida) |
Aqui está um observador, colocando através de sua estrutura física e temporal, sua observação sobre si mesmo e sobre sua outra parte, observada. Através de sua observação, o observador reconhece sua limitação e sua temporalidade diante do espaço tempo. Através de sua observação, o observador conduz a sua estrutura física ao desconhecido buscando respostas sobre si mesmo e sobre suas limitações temporais. Sua mente, não afetada pelo tempo, imutável, permite a observação não linear dele mesmo e de sua tão limitada viagem temporal.
O observador atemporal continua inquietamente a questionar essa misteriosa viagem temporal e reconhece que toda essa estrutura oculta e factual é, intrinsecamente, tudo.